9 de mar de 2011

Último pedido

Onde estou? Presa?
Este quarto branco e quieto é tão doentio...
Estaria eu louca?
Deitada num leito de lençóis brancos... Há belos lírios e tulipas amarelas num vaso de vidro...
Agora me recordo; estou morrendo.
Sinto que estou.
Dizem que eu devo querer viver, acreditar ao menos... Mas já estou morta por dentro.
Chove neste dia quente de verão.
Se eu devo morrer, queria que fosse em um dia como este...
Já vivi momentos de felicidade suficientes, mas esta dor me consome.

Me levanto... Quero caminhar um pouco.
Vou morrer em breve, quero sentir a chuva pela última vez...
Lentamente saio de meu quarto, realmente a casa esta quieta...
A chuva é mesmo tão bela...
Quero sair, ninguém está em casa.
Fujo, com meus curtos passos.
Aquelas gotas de chuva me trazem recordações, boas, porém, distantes.

Quero caminhar até o parque onde ele me levava para ver os lírios e as tulipas...
A muito não visitava aquele parque, era uma caminhada exaustiva, mas queria sentir aquela alegria novamente...
Ele sempre me trazia flores deste parque, me faziam bem...
Meu corpo frágil sempre foi lhe um peso, e eu sempre soube disso.
Eu não devo derramar lágrimas, é assim que deve ser, será melhor para todos, para mim e para ele.
Será que alguém irá sentir a minha falta?

Queria, por fim, visitar o bosque onde passávamos as tardes seguindo borboletas...
Como eu amo aquelas borboletas...

Está ficando tarde. Não tenho mais aquela noção de tempo... Tudo parece demorado e tortuoso... Mas quero ver minhas borboletas.
A fina chuva que banhava minha pele pálida a muito já cessara... Sinto que estou exausta...
A bela luz do crepúsculo reflete nas possas d'água espalhadas pelo chão...
Posso sentir o cheiro das árvores, estou chegando. Poderei ver as borboletas pela última vez...
Os pequenos pássaros me recebem cantando tão alegremente, mas eu não consigo sorrir...
Estou tão fraca... Sinto o mundo desabar, tudo está tão escuro agora... Seria meu fim? Morrer ao som daqueles pássaros?

Em meio a aquela escuridão silenciosa, ouço uma voz... Seria a sua voz?
Ela pergunta desesperada: "Por que fez isso?"
Ao abrir meus olhos o vejo... Lágrimas? Por que chora? Não há motivos...
Talvez, tudo o que eu queria mesmo era poder acabar com aquele sofrimento...
Sou um peso a ser carregado, uma causadora de angústia, incerteza... Prefiro mesmo que seja assim.
Por favor, não se culpe! A unica certeza humana é a morte, sempre soubemos disto!

Quero que viva a sua vida por mim, e não posso levar a sua comigo, não quero mais fazer isto... Quero ver seu lindo sorriso novamente, aquele sorriso que morreu em seu rosto no dia em que descobrimos meu destino. Quero vê-lo viver e ser feliz.
Perdão por tê-lo feito sofrer tanto... Perdão...
Viva o que eu não lhe permiti viver!
Assim poderei sorrir enquanto fecho os meus olhos, ouvindo o canto dos pássaros, ao som de sua voz, ainda a chamar meu nome...

Me despeço deste seu mundo agora, deitada em nos braços de quem mais me amou e eu mais amei nesta curta vida...

Adeus.

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